
O Sistema Transporte participou, nessa quarta-feira (25), da inauguração da IGAR (Igarapé Reciclagens), unidade de reciclagem veicular do Grupo SADA, em Igarapé (MG). A presença institucional reforçou o compromisso do setor com a agenda ambiental, a economia circular e a consolidação de soluções estruturadas para veículos em fim de vida útil.
Para o diretor adjunto nacional do SEST SENAT e líder do projeto Transporte e a COP30, Vinicius Ladeira, a iniciativa representa um avanço relevante para a consolidação da reciclagem automotiva no Brasil. “O fim da vida útil do veículo importa muito quando tratamos de projetos de renovação de frota. É um projeto importante para o país, não apenas para uma empresa, mas também para o setor como um todo”, afirmou.
Ele ressaltou que a CNT historicamente defende políticas de incentivo à renovação da frota, especialmente diante do envelhecimento dos veículos em circulação. “A reciclagem de veículos é uma prática consolidada em outros países. Agora temos o prazer de ver essa tecnologia e essa estrutura chegarem ao Brasil”, completou.
Segundo o diretor, iniciativas como a da IGAR fortalecem a responsabilidade ambiental do setor ao assegurar a destinação adequada aos veículos retirados de circulação. A proposta da planta é reinserir, no ciclo produtivo, materiais como carcaça metálica, borracha e outros componentes, evitando que se tornem passivos ambientais.
Instalada na Região Metropolitana de Belo Horizonte, importante corredor logístico do país, a IGAR nasce como a maior recicladora integrada de veículos do Brasil. A unidade, que operava em fase experimental desde o ano passado, recebeu investimentos de cerca de R$ 200 milhões e inicia agora sua operação plena, com capacidade para processar até 300 mil veículos por ano — aproximadamente 500 por dia —, além de operar com volume de 100 a 120 toneladas de sucata por hora.
A planta ocupa uma área de 80 mil m² e conta com estrutura completa para descontaminação, desmonte e trituração de veículos em fim de vida útil (ELVs). O processo inclui a retirada controlada de airbags, drenagem de fluidos, separação de pneus, remoção de vidros e catalisadores e, ao final, a trituração do material metálico em equipamento de alta capacidade. A sucata processada retorna à cadeia produtiva, sobretudo à indústria siderúrgica, substituindo matéria-prima virgem e reduzindo a necessidade de extração de recursos naturais.
A iniciativa dialoga com diretrizes nacionais voltadas à transição para padrões mais sustentáveis, como o programa Mover (Mobilidade Verde e Inovação) e a PNRS (Política Nacional de Resíduos Sólidos). Em um cenário de frota com idade média elevada, a consolidação de infraestrutura adequada para o tratamento de veículos em fim de vida útil torna-se elemento estratégico para que políticas de renovação avancem com efetividade ambiental.
O presidente do Grupo SADA, Vittorio Medioli, destacou que a unidade foi planejada com foco na estruturação de uma logística reversa nacional, modelo que organiza o retorno dos veículos à cadeia produtiva para reaproveitamento e destinação ambientalmente adequada. Segundo ele, “todas as instalações foram construídas com extremo respeito ao meio ambiente, com recuperação de águas e atenção às características da região”.
Medioli relembrou que a criação de um programa estruturado de reciclagem vem sendo defendida há anos, diante do passivo acumulado nos municípios, sobretudo nos mais distantes dos grandes centros. “Existe uma complexidade nessa cadeia, que envolve fabricantes, concessionários, comerciantes e transportadores, e que requer um sistema correto e sustentável de descontaminação”, afirmou. Para o presidente, a implantação da IGAR representa um passo concreto para organizar o fluxo reverso desses veículos e dar escala a uma solução ambientalmente responsável.
Logística reversa e escala industrial
Concebido como solução logística e industrial que conecta os setores automotivo e siderúrgico, o projeto nasce com foco na responsabilidade compartilhada. Segundo a vice-presidente do Grupo SADA, Daniela Medioli, a iniciativa foi estruturada para prover “uma logística reversa eficiente dos carros em fim de vida útil”.
Ela destacou que o Brasil tem uma frota circulante de aproximadamente 49 milhões de veículos, dos quais cerca de 10 milhões têm mais de 15 anos de uso — cenário que contribui para o envelhecimento médio da frota, enquanto a taxa de reciclagem permanece reduzida, em torno de 1,5%.
Do ponto de vista do transporte, a proposta dialoga diretamente com a eficiência operacional do sistema. A estrutura permite aproveitar fluxos logísticos já existentes, como as rotas de distribuição de veículos novos, para transportar automóveis em fim de vida no retorno das cegonhas, reduzindo viagens vazias e ampliando a racionalidade do modelo.
Em um país de dimensões continentais e frota envelhecida, soluções integradas de transporte e reciclagem contribuem para reduzir custos, otimizar ativos e incorporar a sustentabilidade como variável concreta na gestão do setor.